Caraíva — A viagem que começou no riso de um circo
22 de janeiro de 2019
Saímos de Porto Alegre pela manhã, rumo a Vitória (ES). O voo atrasou um pouco — como quem já anuncia que a viagem será feita no tempo da vida, e não do relógio.
Chegamos a Vitória e alugamos um carro. Paramos em um posto de beira de estrada para comer. Antônio, faminto, saboreou massinha com arroz — não era um prato fino, mas foi o melhor do mundo naquele instante.
Seguimos viagem até Teixeira de Freitas, uma cidade pequena onde dormiríamos antes de seguir para o destino final: Caraíva, Bahia. Foram sete horas de estrada, com uma pausa para lanche e mamadeira.
Ao chegar, o destino nos presenteou com uma surpresa: um circo colorido na beira da estrada. Antônio pediu para ir — e lá fomos nós, mesmo cansados. Rimos, comemos pipoca e batata frita, e saímos de lá às 22h30 com o coração leve e um DVD de um tal “Bananinha do SBT” (que até hoje não sabemos quem é, mas valeu a lembrança!).
Dormimos no hotel Ventos do Sul, simples e acolhedor, com um bom café da manhã e cheiro de estrada.
Na manhã seguinte, Antônio acordou sorridente, pedindo seu “mama quentinho”. Partimos para mais três horas e meia de viagem. A estrada, a BR-101, era boa — até que virou chão batido. E foi nessa parte que a aventura se fez.
Paramos para um xixi e, entre poeira e risadas, Antônio descobriu uma árvore de algodão. Encantado, colheu um pedacinho e guardou no carro como amuleto. “Mamãe, o algodão nasce na árvore!”, disse, como quem acaba de desvendar um segredo do mundo.
Chegamos a Caraíva. Deixamos o carro no estacionamento e atravessamos o rio de canoa — R$10 por pessoa, uma contribuição para a preservação do lugar. Depois, mais R$5 para a travessia. Do outro lado, o som do vento e o cheiro do mar.
Pegamos uma charrete (R$30, um valor salgado, mas necessário com malas e criança). Antônio achou tudo mágico: a estrada de areia, os cavalos, o balanço do caminho. Dica: em Caraíva, salto alto não combina com o paraíso — tênis e sapatos de neoprene são os melhores companheiros.
Na pousada Guest House, fomos recebidos com carinho pelo Otávio. Deixamos as malas e partimos para o almoço na Casinha Gourmet — comida deliciosa, risadas e o Antônio comendo bem.
À tarde, caminhamos até a Barra, onde o rio encontra o mar. Um espetáculo. Foram cerca de 10 km sob o sol e o brilho do menino que, mesmo cansado, seguiu firme e curioso.
Voltamos à pousada, tomamos um café com bolinhos feitos pela doce Paula, e um chimarrão, porque tradição também viaja com a gente.
Mais tarde, tomamos sorvete atrás da igreja, entramos para agradecer e jantamos na Cachaçaria de Caraíva. Atendimento acolhedor, um espaguete especial para o Antônio e uma cachaça chamada Vale Verde que aquecia a alma.
O garçom, Pedro, foi um querido — brincou com o Antônio e encerrou a noite com leveza. Voltamos para a pousada, banho tomado, corações cheios.
Dormimos embalados pela brisa e pelo som dos grilos.
Foi um dia longo, bonito e cheio de pequenas belezas.
Essas que a gente só vive quando viaja com o coração aberto — e com uma criança curiosa no banco de trás. 💛

